Domínio .ONG será chancela de credibilidade para ongs internacionais via @idgnow

Fonte Original: IDGNOW
Por Cristina De Luca
Publicada em 17/06/2013 10:00

Grande parte das organizações não governamentais sem fins lucrativos, sobretudo em mercados emergentes, se depara com o obstáculo de provar sua legitimidade, principalmente na internet, onde as ações de crowdfunding e campanhas de arrecadação de fundos através de doações voluntárias.

Pensando nisso, a Public Interest Registry (PIR), desde 2003 gestora do domínio .ORG – são mais de 10 milhões de sites – viu na recente leva de expansão de domínios genéricos de primeiro nível da internet uma oportunidade para solicitar a criação dos domínios .ONG/.NGO, e expandir sua atuação, garantindo às organizações do terceiro setor, uma presença online “certificada”.

“Ao saber da expansão, pensamos em criar formatos que pudessem beneficiar as organizações sem fins lucrativos, nossas clientes ou não, e outras tantas ongs que hoje encontram dificuldade em ter uma presença global na rede, por seu tamanho ou ou por sua atuação local”, diz Link Nancy Gofus, ex-executiva da Verizon que, desde 2012, dirige as operações da PIR.

A ideia foi atrelar a concessão dos registros .ONG/.NGO (sim, ao registrar um, a entidade receberá automaticamente o outro) a um rigoroso processo de validação da organização sem fins lucrativos, no contexto local e global. Só ongs legítimas, filantrópicas e de interesse público, sem nenhum foco comercial, terão o registro. “Vamos atestar que a organização é de fato sem fins lucrativos, sem foco comercial e político, é independente e segue as leis do país onde opera”, diz Nancy.

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“Além da questão da credibilidade, muitas dessas organizações enfrentam problemas para serem achadas na rede”, prossegue Nancy. Por isso, os registros .ONG/.GNO contarão com uma espécie de catálogo online _ uma espécie de páginas amarelas com um pequeno perfil com informações sobre o seu trabalho e links para mídias sociais _ onde as organizações sem fins lucrativos poderão expor seus trabalhos, suas campanhas para arrecadação de donativos e recursos, trocar informações e experiências com outras ongs de atuação similar em diversos países.

“Vamos construir o primeiro diretório global de ONGs. Esperamos que essa iniciativa mude o uso da internet para aqueles que estão mudando o mundo. A torne mais útil”, afirma Nancy, lembrando que muitas ongs não têm nenhuma presença na internet. O catálogo daria a elas uma página na internet, antes mesmo que terem condições de criarem seus próprios sites.

A intenção, portanto, é proporcionar às ongs um local seguro e confiável que lhes permita aumentar as oportunidades de engajamento, consciência e financiamento.

No catálogo, as ongs serão catalogadas por causa defendida, país, e região entre outros critérios que facilitem a busca. E terão acesso a ferramentas para o recebimento de doações através da página do seu perfil no catálogo. Outros serviços adicionais irão acompanhar os novos domínios. A intenção da PIR é a de , durante os três primeiros anos de operação, reverter parte da renda  com os registros para a oferta de projetos educacionais e ferramentas online focadas na expansão do conhecimento e capacitação das entidades no uso da internet.

Trabalho já começou
Embora a expectativa da PIR seja a de os novos domínios só estejam disponíveis em 2014, em função do longo e moroso processo de autorização da Internet Corporation for Assigned Names and Numbers (ICANN), entidades que desejem ter o registro dod domínios .ONG/.OGN já podem entrar no site da PIR e manifestar seu interesse.

O envio dessa manifestação coloca as ongs no radar da PIR, que pode já iniciar o processo de validação, e as permite estarem permanentemente informadas sobre o desenvolvimento de todos os processos de lançamento dos domínios.

“O Brasil já é o terceiro país em quantidade de organizações interessadas, atrás de EUA e Índia”, comenta Nancy, que visitou o país no início do mês para conversar com entidades brasileiras a respeito da iniciativa.

A muitas delas, Nancy explicou que os registros .ONG/.OGN são complementares ao registro .ORG.BR e até mesmo ao registro .ORG, embora muitas das mais de 10 milhões de organizações com o registro .ORG não preenchem os requisitos para terem os novos registros.

“É evidente que o Google.org não é uma organização sem fins lucrativos”, afirma Nancy, dando uma dimensão do quão rigoroso o processo de validação será.

“Há uma mistura grande de organizações que utilizam o .ORG. Há ongs, mas há também entidades de responsabilidade social de empresas privadas, clubes esportivos, associações comunitárias, igrejas”, diz Nancy.

No Brasil, o registro do domínio .ORG.BR já exige a apresentação de documentação que comprove a natureza da instituição não governamental sem fins lucrativos, de acordo com a legislação brasileira, e o CNPJ. Nos casos em que a instituição é um consulado ou uma embaixada, a exigência do CNPJ é dispensada. Até o momento, foram concedidos pelo Registro.br 47.659 registros .ORG.BR.

Como o Resgistro.br, a PIR é uma organização sem fins lucrativos. Nos últimos 2 anos (entre 2010 e 2012) viu os registros .ORG crescerem 47% na Ásia/Oceania, 25% na América Latina e 23% na África.

A atuação internacional deverá crescer ainda mais a partir disponibilidades dos domínios .ONG/.NGO. No Brasil,o domínio .ORG está disponível através de revendas de domínio e registradores autorizados. O mesmo deverá ocorrer com os novos domínios, embora a intenção da PIR seja contar com conselhos locais na tarefa de validação das ongs.